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Governador de Shizuoka elogia Takaichi após primeira-ministra dizer que “manterá distância da xenofobia”

Yasutomo Suzuki destacou que o Japão precisa de transparência nas políticas migratórias, diante do papel crescente dos estrangeiros na economia

O governador da província de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, pediu ao governo japonês que defina diretrizes claras sobre a aceitação de estrangeiros, incluindo critérios de elegibilidade e número de vagas.

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A declaração foi feita na segunda-feira (27), quase uma semana após a posse do novo gabinete liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi.

Durante entrevista coletiva, Suzuki destacou que o país precisa de transparência nas políticas migratórias, especialmente diante do papel crescente dos estrangeiros na economia local.

De acordo com o jornal Nihon Keizai, o governador elogiou o discurso de posse de Takaichi, que afirmou querer “manter distância do nacionalismo e da xenofobia”, e disse ver a mudança de governo como “uma oportunidade para esclarecer políticas que sempre foram ambíguas”.

Pedido por diretrizes e integração

Takaichi criou, em seu novo gabinete, um posto dedicado à política para estrangeiros. Suzuki apoiou a medida, afirmando que é “natural lidar com rigor com casos de permanência ou trabalho ilegal”, mas reforçou que o país precisa ir além da fiscalização:

“O governo deve definir critérios e limites claros e, depois de aceitar estrangeiros, criar políticas de integração que permitam que eles se estabeleçam no Japão”, afirmou.

Estrangeiros sustentam o mercado de trabalho local

De acordo com o Escritório Regional do Trabalho de Shizuoka, a província registrou 81.560 trabalhadores estrangeiros até outubro de 2024. Trata-se do maior número desde o início da obrigatoriedade de registro, em 2007 — um aumento recorde por 10 anos consecutivos.

Suzuki, que também lidera o projeto nacional de governadores sobre convivência multicultural, vem pressionando o governo central por uma lei básica que garanta direitos e deveres para estrangeiros residentes. Ele destacou que o debate público costuma focar apenas em regras e controles.

“Isso dá a impressão de uma postura de exclusão, mas a primeira-ministra deixou claro em seu discurso que não se trata de uma política xenófoba”, observou.

“Estrangeiros não são apenas mão de obra”

“O governo tem visto os estrangeiros apenas como força de trabalho. Mas eles não são robôs. Nas comunidades locais, vivem como qualquer outra pessoa, enfrentando os mesmos desafios e preocupações. Os servidores municipais lidam com essas questões todos os dias, mas o debate político em Tóquio costuma ignorar essa realidade”, disse o governador em uma entrevista para o site Nippon.com.

Pontos principais da proposta dos governadores sobre política migratória

  • Reconhecer os estrangeiros como “moradores e cidadãos”, não apenas trabalhadores.
  • O governo nacional deve assumir responsabilidade direta, sem deixar tudo a cargo dos municípios.
  • Financiamento contínuo para ensino de japonês e políticas de inclusão.
  • Expansão das áreas de capacitação e trabalho conforme a realidade de cada região.
  • Criação de uma lei básica e de um órgão central para coordenar a política migratória.

FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

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