Novo governo do Japão começa a discutir política de convivência com estrangeiros em reunião na terça-feira
A expectativa é que o número de imigrantes passe de 3% para 10% da população até 2040, o que levanta preocupações sobre integração social.
O governo japonês se prepara para revisar sua política de convivência com estrangeiros, com foco nos desafios das comunidades onde há alta concentração de imigrantes. Segundo o jornal Sankei, a primeira reunião ministerial sobre o tema deve ocorrer na terça-feira (4), sob liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi.
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A expectativa é que o número de estrangeiros no Japão passe de 3% para 10% da população até 2040. Isso levanta preocupações sobre integração social e segurança pública. O governo quer entender como o aumento da presença estrangeira afeta o cotidiano das cidades e a sensação de segurança dos moradores.
Onoda assume papel central na política para estrangeiros
“Queremos que o governo aja de forma unificada e com agilidade diante das mudanças relacionadas aos estrangeiros no Japão”, disse a ministra da Segurança Econômica, Kimi Onoda, também responsável pela convivência com imigrantes.
O ministro da Justiça, Hiroshi Hiraguchi, destacou que os estrangeiros que permanecem no país por períodos longos “devem se adaptar à cultura japonesa” e defendeu uma política abrangente para promover essa convivência.
Ambos devem atuar como vice-presidentes na nova conferência interministerial de políticas para estrangeiros. Ela marcará uma nova fase do governo Takaichi — agora com uma “central de comando” específica para coordenar todas as medidas relacionadas à imigração.
Impacto da concentração de estrangeiros
Entre os temas sensíveis está o da “concentração populacional” — quando comunidades inteiras de estrangeiros se formam em determinados bairros. De acordo com um relatório do governo, diferenças culturais, religiosas e sociais podem gerar conflitos de convivência.
Também destaca a necessidade de investigar taxas de criminalidade por nacionalidade e tipo de visto, além da chamada “sensação de segurança” nas regiões com alto número de imigrantes.
Casos como o de Kawaguchi mostram desafios e boas práticas
A cidade de Kawaguchi, na província de Saitama, ilustra os dois lados da questão. Lá, cerca de 8,6% dos residentes são estrangeiros, com destaque para chineses, vietnamitas e turcos. Algumas áreas chegam a registrar proporções ainda maiores.
Em junho, dados apresentados na Câmara Municipal mostraram que, entre os 178 casos criminais registrados em 2024, 54 envolviam chineses, 54 turcos e 27 vietnamitas. Considerando o número de residentes legais — 25 mil chineses, 6 mil vietnamitas e 1.500 turcos —, a taxa de detenções entre os turcos era desproporcionalmente alta.
Por outro lado, o governador de Saitama, Motohiro Ono, afirmou em entrevista ao jornal Sankei que há exemplos positivos de integração. Ele citou o conjunto habitacional Shibazono, em Kawaguchi, onde “estrangeiros que chegaram primeiro ensinam as regras de convivência aos novos imigrantes” e, em alguns casos, “chegaram até a organizar festivais locais em lugar dos japoneses”.
“A concentração de estrangeiros também pode gerar bons resultados, quando há diálogo e cooperação”, ressaltou o governador.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE






















