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Quermesses investem na profissionalização com adoção de máquinas de cartão e cardápio digital

Parceria com cooperativa de crédito faz paróquias de Marília ampliarem rentabilidade e público dos eventos

Juliana Neves (MTB 0084448/SP) – Especial para o Conexão Marília

Tradicionais na cidade de Marília, as quermesses têm apostado na modernização trazida pela adoção de máquinas de cartão e pelo sistema de cardápios digitais para ampliar a rentabilidade e o público desses eventos.

A estratégia de profissionalização começou a ser adotada no ano passado, a partir da decisão do padre em buscar por aperfeiçoamento para o evento e pela vontade dos paroquianos em testar algo novo que pudesse contribuir positivamente ao fluxo de movimentação da quermesse. Hoje, algumas das paróquias de Marília adotam máquinas de cartão e sistema de cardápios digitais em seus eventos.

Este foi o caso da Paróquia Santa Edwiges, que dobrou as vendas dos produtos da praça de alimentação e de visitantes após modernizar a estrutura do evento.

“Esta inovação se deve ao fato da mudança de pároco da nossa Paróquia. A vinda do padre Adriano dos Santos Andrade deu um ‘up’ muito legal para a comunidade. Em termos de financeiro, nós dobramos o valor arrecadado com as quermesses. Antes, conseguíamos entre 50 a 60 mil, mas passamos para três dígitos, arrecadando 100 mil reais com as duas festas no ano”, comemora Tiago da Silva Santos, segundo tesoureiro e secretário do Conselho Econômico da Paróquia Santa Edwiges.

A paróquia promove duas quermesses durante o ano, sempre em maio e outubro. A decisão de experienciar fichas automatizadas de impressão instantânea foi implementada no evento do primeiro semestre, quando foram utilizadas seis máquinas.

Com a percepção de redução de filas e agilidade no fechamento do caixa, a festa em novembro passou a ter quinze máquinas. O resultado, segundo o tesoureiro, agregou valor à quermesse e tornou a estratégia definitiva. Ele garante que não há volta para as fichas de papéis.

“O retorno dos paroquianos e das pessoas que não são acostumadas a frequentar a nossa paróquia é somente de comentários positivos, principalmente das pessoas que trabalharam nos caixas. O atendimento é muito mais rápido e facilita a soma dos produtos para informar o valor total a ser pago pelo participante da quermesse. Além disso, o uso da máquina com o sistema de cardápio digital e impressão das fichas reduz a um único trabalho automático, ao invés de três ou mais que teríamos caso fosse feito manualmente”, comenta o membro do Conselho Econômico da Paróquia.

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Foto: Paróquia Santa Edwiges

Legenda: Desde a primeira quermesse com o uso do cardápio digital, a Paróquia Santa Edwiges celebra sucesso de público e de lucratividade

A profissionalização das quermesses da Santa Edwiges e de outras paróquias de Marília foi possível por meio de parceria com a agência de cooperativa de crédito Sicredi Santa Antonieta. Inaugurada em 13 de dezembro de 2023, foi a primeira instituição financeira a ser implementada no bairro de mesmo nome, para atender a demanda de desenvolvimento da comunidade e do comércio local.

O acordo consiste em PIX isento, sem aluguel da máquina. As paróquias também podem solicitar a quantidade de equipamentos que julgar suficiente para a quermesse, pagando somente uma taxa do aplicativo do sistema do cardápio digital.

Outro ponto positivo na parceria é que as tarifas para uso de cartão de débito e crédito têm condições excelentes para uma entidade religiosa.

A oferta do aplicativo de sistema de cardápio digital começou em 2025 já com a implementação da tecnologia em algumas paróquias. A motivação deste caminho de profissionalização, por parte do Sicredi, veio da proposta de facilitar o dia a dia das festas, substituindo os vales “em dinheiro” por uma espécie de voucher, que é impresso após o pagamento.

A proposta é facilitar a gestão da entidade religiosa católica e proporcionar economia de custos e materiais. Para João Salvi, presidente da Sicredi Centro-Oeste Paulista, base da agência Sicredi Santa Antonieta de Marília, esse modelo fomenta a construção de um futuro mais sustentável.

“A economia, também, está na redução da impressão de fichas e na diminuição das filas, já que permite atendimento diretamente nas mesas, sem a necessidade de um caixa físico. Isso torna o processo mais ágil, organizado e eficiente para as paróquias e para a comunidade. Outro ponto positivo é favorecer a administração de estoque em tempo real”, complementa João.

As taxas são personalizadas conforme cada negociação. “Além disso, temos benefícios como a concessão de máquinas extras sem custo de aluguel. Já o sistema de cardápio tem um investimento que gira em torno de R$ 89 por máquina”, explica o presidente.

Tiago da Silva Santos, membro do Conselho Econômico da Paróquia Santa Edwiges, comprova os efeitos positivos da parceria com o Sicredi. De acordo com ele, não há nenhum peso no “bolso” da instituição religiosa. Pelo resultado conquistado com a realização das duas principais quermesses do ano, a taxa do aplicativo é mínima.

Segundo Salvi, a parceria com as paróquias cria um relacionamento próspero. “Estar próximos de entidades e movimentos que têm o propósito de construir uma comunidade mais próspera é o que mais fortalece o Sicredi, e, inclusive, é uma das formas de devolver à comunidade a confiança depositada na cooperativa”, sintetiza.

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Foto: Sicredi Centro-Oeste Paulista

Para João Savi, presidente do Sicredi Centro-Oeste Paulista, a confiança das Paróquias na agência é a chave para o apoio da cooperativa em fomentar o desenvolvimento econômico local

A parceria entre Sicredi e paróquias está intimamente ligada com as raízes do Sicredi. “É gratificante poder atender aos padres e à comunidade, assim como fez o padre Theodor Amstad, fundador do Sicredi, que iniciou esse movimento cooperativista com base em valores de união e solidariedade”, avalia João.

Mas ao lado das alegrias da parceria consolidada, existem as dificuldades e desafios. A principal é a busca pela personalização e exclusividade no momento de negociação ao entender a realidade e necessidade de cada associado. “Com as paróquias não é diferente: nossa missão é de entender para atender com qualidade, é o que faz a diferença no relacionamento”, pontua o presidente.

A despeito das dificuldades de planejamento, as paróquias ouvidas pela reportagem confirmam que a modernização no sistema de cardápio digital permite uma gestão mais profissional dos eventos. Entre eles, a mensuração de itens vendidos, a informação sobre estoque e uma prestação de contas mais rápida ao fim da festa.

Um trabalho transparente por parte da cooperativa de crédito, baseado em atenção, proximidade, qualidade, pertencimento a um único negócio e respeito. Foi isso que fez a Paróquia Santa Antonieta, de pároco o padre Luiz Eduardo Cardoso de Sá, a investir na profissionalização, com sucesso, de sua quermesse do mês de julho.

“O sistema do cardápio digital foi adotado para a nossa Festa Julina, realizada em três dias seguidos. Decidimos por esta modernização por ser uma ação eficaz. Torna a festa mais rápida, ágil e prática. São só elogios por parte dos paroquianos e, principalmente, pelos trabalhadores voluntários com um relatório de pós-venda de item por item”, afirma Luciana Gomes dos Santos, auxiliar administrativa financeira da Paróquia Santa Antonieta.

Parceria vai além da maquininha

A parceria entre paróquias e a Sicredi não se resume à solicitação da quantidade de máquinas de cartão. Até a data da festa, para redução de erros e imprevistos, a cooperativa de crédito disponibiliza duas formas de treinamento para o responsável ou responsáveis pelo evento. Isso é feito por meio da empresa prestadora de serviço do Sicredi ou por tutoriais em vídeo.

Na sequência ao treinamento, a paróquia é instruída sobre o cadastro de cada produto a ser vendido na praça de alimentação da quermesse, bem como orientada a realizar testes de impressão, para certificar-se da funcionalidade dos equipamentos e sistema.

Além dos ganhos financeiros, que permitem melhor sustentabilidade das atividades da paróquia, como manutenção e folha de pagamento, a profissionalização das quermesses proporciona ganhos sociais.

A avaliação de paróquias e da cooperativa de crédito é que a modernização permite à quermesse ser vista socialmente como um encontro de integração e motivação entre as pessoas, seja como espaço de voluntariado ou momento de entretenimento para “escapar” da rotina.

 “A comunidade abraça a festa, no sentido de ter disponibilidade em ajudar na organização de cada processo da quermesse e, claro, em participar, em se fazer presente e consumir, quase, todos os alimentos produzidos e vendidos com muito amor e carinho. Além disso, a quermesse é uma forma de arrecadar fundos para benfeitorias e reformas da paróquia”, conta Luciana Gomes dos Santos, funcionária da entidade religiosa.

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Foto: Paróquia Santa Antonieta

Legenda: Registro da distribuição de brindes pelo Sicredi durante evento na Paróquia Santa Antonieta

Tiago da Silva Santos, integrante do Conselho Econômico da Paróquia Santa Edwiges, concorda com Luciana. “As festas ajudam na movimentação financeira, quando precisamos de uma reforma específica para a Paróquia ou as comunidades, por exemplo. Além de ser uma situação que ajuda a motivar mais os paroquianos a participarem das nossas atividades durante o ano. Notamos, também, aumento do dízimo e das ofertas das missas, pois chamamos a atenção daqueles que não são acostumados a frequentar a nossa paróquia”, analisa.

Eventos de paróquias, em geral, proporcionam grandes fluxos financeiros. Por esta razão, o objetivo do Sicredi é ser um ponto de apoio para as entidades. “É uma das formas de devolver à comunidade a confiança depositada na cooperativa. Quando estamos juntos com as paróquias, seja em uma quermesse ou no seu dia a dia, cumprimos nosso propósito de atender às suas demandas de forma justa e igualitária”, comenta João Salvi, presidente do Sicredi Centro-Oeste Paulista.

Uma parceria comparada a uma via de mão dupla: enquanto um ajuda o outro, ampliam-se o bem-estar e o desenvolvimento econômico local. “A movimentação financeira gerada pelas paróquias proporciona, além de economia por conta do valor justo cobrado pela cooperativa, sobras, que são distribuídas proporcionalmente ao fluxo financeiro movimentado e negócios realizados ao longo do ano. Ou seja: o dinheiro volta, de alguma forma, para a Paróquia e para a comunidade em si, gerando riqueza e desenvolvendo as regiões onde estamos”, finaliza o presidente.

Profissionalização contribui para o marketing das paróquias

A profissionalização das quermesses contribui para o marketing das paróquias. Com o uso do cardápio digital, as comunidades católicas transmitem a ideia de modernização, acolhimento e leveza, sobretudo àqueles que não fazem parte da comunidade. É o que avalia a estrategista digital Maria Carolina Avis.

“Quando olhamos para a modernização destes eventos, especialmente no que diz respeito aos meios de pagamento, o impacto é direto na experiência do público. Em momentos de celebração e confraternização, é comum que as pessoas estejam com pouco tempo ou não queiram enfrentar filas longas, lidar com falta de troco ou processos confusos de compra. Sistemas que agilizam o pagamento, permitem o uso de PIX e cartão e já emitem automaticamente as fichas tornam a experiência muito mais fluida e convidativa”, explica a estrategista digital Maria Carolina Avis.

Ao profissionalizar seus processos e atendimento, comenta a estrategista, as paróquias transmitem uma imagem de organização, cuidado com o público e adaptação aos hábitos atuais de consumo. Além disso, a utilização de sistemas digitais aumenta a percepção de segurança e confiança, “pois já reduz erros, perdas e inconsistências comuns em processos manuais”, complementa Maria Carolina.

A estrategista frisa que a tecnologia não substitui o caráter comunitário e de fé da festa, mas é uma aliada para potencializar o ato de acolhimento, demonstrar profissionalismo e fortalecer o vínculo da paróquia com a sua comunidade.

Essa percepção é confirmada por quem frequenta quermesses. “Esta profissionalização é prática e ágil, economiza fila e permite que compremos especificamente o que desejamos. Observo que as pessoas consomem com mais consciência as fichas”, relata o policial rodoviário federal André Lúcio de Castro, frequentador de quermesse.

Para Elaine Herreira Bueno, professora aposentada e que gosta de participar de quermesse, o processo é inovador e desafiador, pois envolve educar o público e fornecer um sinal de internet acessível aos frequentadores e equipes.

 “Ainda há algumas pessoas que se confundem com os papéis das fichas e, às vezes, em algum local, o sinal de internet não é tão bom. Mas ainda assim considero que o sistema melhora o fluxo das festas. As pessoas compram com mais rapidez e exatamente o que estão com vontade de consumir, sem enrolação”, comenta Elaine.

Para economista, profissionalização de quermesses não tem volta

Para o economista Mauri da Silva, do ponto de vista econômico, a profissionalização dos eventos católicos proporciona somente vantagens. “No caso, a adoção do sistema de cardápio digital representa a transição da informalidade para uma administração racional, transparente e eficiente, capaz de impulsionar, proporcionar maior solidez e favorecer as finalidades pastorais e sociais da Paróquia”, analisa Mauri.

A redução de desperdícios e perdas operacionais é uma das características de uma gestão profissionalizada. “Pois permite o uso zeloso dos recursos humanos e materiais, assegurando que cada centavo doado gere o maior impacto possível nas obras sociais”, explica. Outra vantagem é o maior poder de barganha, já que compras antecipadas permitem adquirir insumos no atacado, com descontos e melhores condições de pagamento, segundo o economista.

Isso favorece a precificação correta, segundo ele, com política de fixação de preço baseada nos custos e na margem desejada, sem “achismo”, além de contribuir para a transparência. “Essencial para conquistar a confiança do fiel e da comunidade, pois a confiança é a moeda mais valiosa para organizações sem fins lucrativos”, afirma Mauri.

“A transformação de atividades tradicionais, provavelmente improvisadas, em processos organizados e planejados é uma ação que potencializa a arrecadação de recursos essenciais à continuidade das obras sociais das Paróquias”, finaliza o economista.

Catolicismo em Marília

Dos 247.348 habitantes de Marília, 53,34% são católicos.

A cidade é a sede da Diocese de Marília, criada em 1952, e é composta por 37 municípios e 21 distritos, sendo divididos em regiões com os nomes de Região Pastoral I (o percentual é de 64,01% pessoas católicas), Região Pastoral II (o percentual é de 68,02% pessoas católicas) e Região Pastoral III (o percentual é de 68,17% pessoas católicas).

Já passaram pela Diocese cinco bispos governantes: Dom Henrique Gelain, Dom Hugo Bressane de Araújo, Dom Frei Daniel Tomasella – OFMCap, Dom Osvaldo Giuntini e Dom Luiz Antonio Cipolini.

Geograficamente a Diocese de Marília é situada na região Centro-Oeste Meridional do Estado de São Paulo, tendo como limites as Dioceses de Araçatuba, Lins, Bauru, Ourinhos, Assis, Presidente Prudente e Três Lagos (MS).

As quermesses são os principais momentos de encontro entre os católicos marilienses, sendo considerados espaços significativos de união e partilha dos assuntos sobre as vivências de cada comunidade paroquial.

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Fonte: Censo 2022 (IBGE) e Diocese de Marília

Movimento é observado em outras cidades

Como em Marília, o ano de 2025 está marcado em Ourinhos para a maioria das paróquias como o ano da profissionalização das quermesses. Em comunhão regional, partiu de padres párocos e do apoio do conselho econômico de Paróquias a busca pela modernização do sistema de fichas nas quermesses. Um dos exemplos é a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que realiza três quermesses no ano, e passou a utilizar o cardápio digital a partir de agosto e se consolidou na quermesse oficial de novembro.

 “O número de visitantes da nossa quermesse mais tradicional, realizada em novembro, foi superior ao registrado nos outros anos. Havia pessoas no Salão Paroquial e muito mais do lado de fora, na rua. As vendas também aumentaram após adotarmos o sistema de cardápio digital”, relata o padre João Marcos Redondo, pároco da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

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Foto: Juliana Neves

Legenda: Padre João Marcos Redondo, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, vê como positiva a adoção do sistema de cardápio digital pelas máquinas da cooperativa de crédito 

Na Paróquia São João Batista, também de Ourinhos, a profissionalização já estava implementada quando o novo pároco chegou em agosto. A decisão do padre foi de manter a profissionalização por proporcionar modernização e segurança para a Paróquia e os paroquianos. O resultado em não retroceder é percebido pelos feedbacks das pessoas que participaram das quermesses: mais conforto e facilidade.

 “Decidi manter porque é uma ação eficaz. Torna a festa mais rápida e ágil. Nunca ouvi uma reclamação, somente elogios por parte de paroquianos, visitantes e equipe de festa. Proporciona mais rapidez e segurança”, afirma o padre Altair Gaiquer, pároco da São João Batista.

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Foto: Paróquia São João Batista

Legenda: Estrutura da quermesse da Paróquia São João Batista, que profissionalizou o planejamento e a estrutura de suas quermesses após parceria com o Sicredi

Já em Santo Antônio da Platina, cidade do norte do Paraná, o uso do cardápio digital para fichas automáticas começou há dois anos, com uma facilidade: lá, os paroquianos atuantes nas barracas de caixa já são funcionários do Sicredi. Ou seja, não houve necessidade de treinamentos e a taxa de erros é quase zero.

Para Adriano Guarini, gerente de agência do Sicredi de Santo Antônio da Platina, o sucesso da profissionalização é a parceria sólida e transparente entre a cooperativa e a paróquia da cidade paranaense.

 “Ajudamos um ao outro além das quermesses. É uma ajuda mútua e que quem ganha é a sociedade, porque o cooperativismo é um princípio existente dentro do catolicismo. Portanto, somos duas instituições que se ajudam na totalidade. E o sistema do cardápio digital vem para alavancar a economia da Paróquia, o que contribui com a economia local, e o Sicredi entra em cena para ajudar a comunidade, fomentando as movimentações e apoiando em tudo o que for necessário”, sintetiza o gerente.

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