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Lula se compromete perante o mundo a colocar o Brasil no caminho do desmatamento zero até 2030

Em seu primeiro discurso em evento internacional após eleito, Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza ao mundo que o Brasil está de volta ao sistema de nações e afirma que pretende ajudar o Planeta a superar a maior crise contemporânea: a climática. Para alcançar esse objetivo, se comprometeu mais uma vez, agora diante da mais importante plateia mundial, a colocar o país no caminho do desmatamento zero, em todos os biomas, a ser atingido até 2030 – o que implica numa rápida e drástica redução nos números já em seu mandato.  

Durante sua fala em uma sala lotada na COP27, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, Lula apresentou o que será o eixo central de sua política externa: promoção da paz, combate à pobreza e enfrentamento das mudanças climáticas. Sem entrar em mais detalhes, disse que trabalhará para concretizar uma “aliança mundial pela segurança alimentar, com responsabilidade climática”. Com isso, reconhece, por um lado, que a crise do clima é um dos fatores que mais contribuem para a insegurança alimentar no mundo; por outro, que não é necessário seguir destruindo ecossistemas – incluindo a Amazônia e o Cerrado – para alimentar os agora 8 bilhões de habitantes do planeta. Em tom conciliador, disse que o agronegócio será aliado na busca de uma agricultura regenerativa  e não mais um promotor do desmatamento, reafirmando seu compromisso de que o governo trabalhará para fazer com o que o setor possa continuar aumentando a produção usando melhor os mais de 30 milhões de hectares de terras degradadas hoje existentes. 

Lula voltou a pedir uma reforma na governança do sistema ONU, com mais espaço para os países em desenvolvimento e sem o atual poder de veto “dos países vencedores da 2ª Guerra Mundial”. Nesse contexto, cobrou o cumprimento dos compromissos assumidos pelos países ricos em Copenhague, em 2009, na COP15, que era de oferecer US$ 100 bilhões/ano a partir de 2020 para apoiar os países em desenvolvimento a alcançarem uma economia de baixo carbono.

Com isso, Lula retoma a linguagem tradicional do Itamaraty, cobrando compromissos comuns, mas responsabilidades diferenciadas entre ricos e pobres. Mas, vai além: ao dizer que pretende, já no ano que vem, convocar uma reunião de cúpula da hoje esquecida Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para estabelecer formas concretas de proteger a Floresta Amazônica, e ao afirmar que irá “reforçar” o acordo recém firmado com Congo e Indonésia para formar uma espécie de “OPEP das florestas tropicais” (que ele diz não conhecer ainda), Lula mostra que a estratégia de cooperação sul-sul, quase que completamente abandonada sob Bolsonaro, voltará a ser a pedra de toque de nossas relações internacionais.

No plano nacional, Lula se comprometeu com a reestruturação das instituições de fiscalização e monitoramento, além de combate renitente à criminalidade (garimpo, mineração, ocupação indevida, exploração de madeira, agropecuária irregular, entre outras). Ao citar novamente o compromisso de criação de um Ministério dos Povos Originários, Lula reconhece a importância dos povos indígenas na conservação dos biomas no Brasil. 

Ao final do discurso, o presidente eleito anunciou o interesse do Brasil em sediar a COP30, em 2025, na Amazônia. O evento será chave na revisão da ambição, que fechará um ciclo de cinco anos do Acordo de Paris, e pode ser uma oportunidade para que o Brasil mostre ao mundo o seu compromisso e os avanços reais na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. 

Após quatro anos em que não houve política ambiental, em que a criminalidade encontrou terreno para se espalhar e a destruição da natureza se tornou projeto de governo, acolhemos as palavras do presidente eleito com a palavra-chave que ele mesmo apontou: esperança. Mas não é uma esperança vazia: estaremos colaborando sempre que pertinente, acompanhando de perto os passos do novo governo e cobrando sempre que necessário. 

FONTE : WWF BRASIL

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