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RD Congo: Violência $exual como tática de guerra gera “$ofrimento indescritível”

ONU diz que situação afeta áreas orientais dos Kivus, Itúri e Maniema; Unicef soa alarme sobre efeitos do aumento do tipo de violência em crianças; escalada matou pelo menos 13 trabalhadores humanitários desde janeiro de 2025.

Nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança acompanhou um informe da vice representante especial do secretário-geral, Vivian van de Perre. Ela instou as partes a honrarem seus compromissos e a reduzirem a lacuna entre a diplomacia e a realidade de segurança no leste da República Democrática do Congo, RD Congo.

A representante alertou para a situação extremamente tensa na área e apelou por progressos concretos em relação ao cessar-fogo, à reabertura do aeroporto de Goma e à proteção dos civis.

Cerca de 600 execuções sumárias

A sessão ocorreu horas depois de a vice alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, revelar que foram registrados 2.560 abusos afetando 6.760 vítimas.

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ONU/Eskinder Debebe

Vivian van de Perre instou as partes a honrarem seus compromissos e a reduzirem a lacuna entre a diplomacia e a realidade

Falando no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, a representante disse que a vasta maioria das vítimas está nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Maniema. O número real é significativamente mais alto.

Apenas nos últimos cinco meses, foram documentadas cerca de 600 execuções sumárias que provocaram a morte de mais de 1,3 mil pessoas. Estima-se que 1,5 mil  foram sequestradas durante o mesmo período. 

A violência incluindo casos de tortura, estupro e outros tratamentos desumanos fizeram outras 1,2 mil vítimas.

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CDH/Anne-Marie Colombet

Nada Al-Nashif fala de cerca de 450 vítimas de violência sexual e de gênero incluindo contra crianças

Para as Nações Unidas, “o uso persistente da violência sexual como tática de guerra inflige sofrimento indescritível” às mulheres e meninas congolesas.

Desde outubro, foram cerca de 450 vítimas de violência sexual e de gênero incluindo contra crianças. Segundo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, houve uma escalada de casos contra crianças. 

Situação congolesa como prioridade

Na reunião do Conselho, o vice-representante especial do secretário-geral para a RD Congo, Bruno Lemarquis, solicitou que o Conselho siga priorizando o país.

Outro pedido é que o órgão controle de perto as violações e os abusos, além de apoiar os esforços para preservar o espaço cívico e proteger os defensores dos direitos humanos.

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© Acnur/Arnold Temple

RD Congo tinha 6,5 milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados em janeiro

Para ele, por trás de cada estatística há um rosto, uma história, uma vida que merece dignidade e justiça.

Morte de trabalhadores humanitários 

A crise humanitária congolesa continua a ser uma das mais graves, complexas e negligenciadas do mundo. Em finais de janeiro, o país tinha 6,5 ​​milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados.

A ONU destacou que a situação prevalecerá enquanto os recursos humanitários continuarem insuficientes para atender às crescentes necessidades das populações afetadas.

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 13 trabalhadores humanitários foram mortos desde janeiro de 2025 em meio à escalada da violência.

FONTE: ONU NEWS

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