Guterres Acende Alerta: Floresta Amazônica Pode Virar Savana sem Ação Urgente
O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou alerta na Semana de Ação Climática em Londres: a Floresta Amazônica corre risco iminente de savanização. Durante discurso, classificou o cenário como “Conto de duas crises” — junção de crise climática com crise energética global. Combustíveis fósseis são, segundo Guterres, a força destrutiva comum a ambas. Transição rápida para renováveis foi defendida como “oportunidade de ouro”.
Mundo registrou os 11 anos mais quentes da história. Gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental derrete em ritmo acelerado. Nível do mar pode redesenhar litorais e deslocar milhões. Recifes de corais estão sob risco de colapso.
Guterres também cobrou transparência das gigantes de tecnologia. Até 2030, operações de inteligência artificial vão consumir mais eletricidade que a maioria das nações. Para resfriar servidores, será gasta água suficiente para abastecer 1,3 bilhão de pessoas na África Subsaariana por um ano.
Setor petrolífero segue lucrando com a crise. Oito maiores empresas do ramo registraram lucro extra de US$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre. Cerca de 167 bilhões de metros cúbicos de gás foram queimados na atmosfera — volume igual ao consumo anual de toda a África.
Energia limpa já mostra força econômica. Capacidade instalada de renováveis poupou US$ 480 bilhões em custos evitados globalmente. Investimentos em energia limpa atraíram quase o dobro dos recursos destinados a combustíveis poluentes.
Injustiça financeira, no entanto, persiste. África detém 60% dos melhores recursos solares do mundo, 30% dos minerais críticos e abriga um quinto da humanidade. Continente recebe apenas 2% do investimento global em energia limpa, deixando 600 milhões de pessoas sem eletricidade.
Para romper com o “modelo falido”, Guterres propôs sete ações: limitar aquecimento a 1,5°C e combater metano; taxar lucros de petrolíferas e modernizar infraestrutura; confrontar pegada ecológica da IA; garantir transição justa para trabalhadores; proteger comunidades com adaptação; transformar sistema financeiro global; defender a ciência contra desinformação climática.
Semana de Ação Climática segue até 28 de junho em Londres com mais de 750 debates.
Fonte: ONU — Discurso do secretário-geral António Guterres na Semana de Ação Climática, Londres, junho de 2026.
Imagem: ONU/Mark Garten


























