Nascimentos de filhos de estrangeiros no Japão batem recorde pelo terceiro ano consecutivo
Crianças estrangeiras já representam mais de 10% dos nascimentos em quase um terço dos municípios analisados, ampliando a necessidade de apoio às famílias
O Japão registrou 23.015 nascimentos de filhos de estrangeiros em 2025, o maior número pelo terceiro ano consecutivo. Uma análise da NHK, baseada nas estatísticas vitais do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, também identificou mudanças na distribuição desses nascimentos pelo país. Segundo especialistas, a presença crescente de profissionais estrangeiros com vistos que permitem a residência de familiares é um dos fatores relacionados a essa tendência.
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Tóquio lidera o número de nascimentos
Entre as províncias japonesas, Tóquio registrou o maior número de nascimentos de crianças de nacionalidade estrangeira em 2025, com 4.124. Em seguida, aparecem Aichi, com 2.471, e Saitama, com 2.153.
A análise também abrangeu 815 municípios e distritos especiais. O levantamento mostra que triplicou, em seis anos, a quantidade de localidades onde crianças estrangeiras representaram mais de 10% dos nascimentos. Em 2025, esses municípios correspondiam a 31% do total analisado.
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Embora os estrangeiros representem pouco mais de 3% da população japonesa, sua participação varia conforme a região. Em algumas cidades, as crianças de nacionalidade estrangeira representam mais de 20% dos nascimentos.
Em Atami, na província de Shizuoka, esse índice chegou a 24,6%, com 19 nascimentos. Já em Joso, na província de Ibaraki, atingiu 22,5%, com 61 crianças. Em Warabi, na província de Saitama, ficou em 21,2%, com 99 nascimentos.
Vistos de trabalho permitem a residência de familiares
Especialistas apontam que o aumento do número de profissionais estrangeiros com vistos que permitem trazer familiares ajuda a explicar essa tendência. Entre as categorias estão o visto de Engenheiro, Especialista em Humanidades e Serviços Internacionais, conhecido como Gijinkoku, e o de cuidador.
Atsushi Kondo, professor da Universidade Meijo e especialista em política externa, relaciona o crescimento dos nascimentos, em parte, ao foco do Japão na contratação de profissionais qualificados.
Segundo o professor, as crianças estrangeiras que crescerem no país poderão contribuir para as comunidades locais, especialmente diante da redução da população japonesa.
No entanto, Kondo alerta que a falta de apoio no ensino da língua japonesa e na educação pode favorecer o isolamento social. Por isso, defende que os estrangeiros sejam reconhecidos não apenas como pessoas que precisam de assistência, mas também como integrantes das comunidades, com participação ativa na sociedade.
Atami enfrenta queda nos nascimentos e envelhecimento da população
Na cidade de Atami, a proporção de crianças de nacionalidade estrangeira entre os nascimentos chegou a 24,6%. Ao mesmo tempo, a localidade enfrenta uma queda da natalidade e o envelhecimento da população japonesa.
Segundo os dados apresentados pela NHK, o número de nascimentos na cidade caiu 28% em seis anos. Além disso, mais de 48% dos moradores têm 65 anos ou mais, cerca de 20 pontos percentuais acima da média nacional.
Nesse cenário, os trabalhadores estrangeiros ganharam importância para a economia local, especialmente para o setor de turismo.
Kinsei Morita, presidente de um hotel em Atami, afirmou que está cada vez mais difícil contratar funcionários japoneses. Por isso, segundo ele, os profissionais estrangeiros são indispensáveis para o funcionamento do estabelecimento.
Em março de 2026, a cidade tinha mais de 1.500 estrangeiros nessa situação, aproximadamente três vezes o número registrado em 2019. Desse total, cerca de 460 pessoas, ou 30%, possuíam o visto de Engenheiro, Especialista em Humanidades e Serviços Internacionais.
Cidade amplia o apoio à convivência multicultural
Apesar da importância dos trabalhadores estrangeiros para a economia local, o crescimento dessa população também trouxe desafios para os serviços públicos.
Creches relataram dificuldades de comunicação com pais estrangeiros. Além disso, moradores apontaram problemas na transmissão de informações sobre as regras de descarte de lixo.
Para enfrentar essas questões, a prefeitura criou, em 2025, um Escritório de Convivência Multicultural. O setor recebe consultas tanto de estrangeiros quanto de cidadãos japoneses.
Yoshitaka Takahashi, responsável pelo escritório, ressaltou que os estrangeiros não devem ser vistos apenas como trabalhadores necessários para o turismo. Segundo ele, também são integrantes importantes de uma comunidade que enfrenta a redução populacional e o envelhecimento.
Takahashi acrescentou que o rápido crescimento dessa população exige melhorias no apoio à maternidade, na assistência infantil e na educação.
Dessa forma, o aumento dos nascimentos de crianças estrangeiras reforça a necessidade de preparar os serviços públicos para atender às famílias e promover a convivência entre moradores de diferentes nacionalidades.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE

































