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Mar bate recorde em 2024 e expõe cinco ameaças existenciais, alerta ONU News

O avanço dos oceanos, provocado pelas mudanças climáticas, atingiu nível recorde em 2024, quando o mar subiu 5,9 mm, segundo a ONU News, portal de notícias das Nações Unidas. Líderes globais se reúnem nesta quinta-feira na Plenária de Alto Nível para Enfrentar as Ameaças Existenciais Ligadas ao Aumento do Nível do Mar, na sede da ONU em Nova Iorque, com o objetivo de aprovar por consenso uma declaração concisa e orientada para a ação.

A elevação das águas acelera em ritmo inédito: o oceano se expande com o aquecimento e as geleiras derretem, intensificando o processo. Somente em 2024, o nível do mar subiu 5,9 mm, novo recorde, puxado por um aquecimento oceânico excepcional, mais rápido do que em qualquer momento dos últimos 4 mil anos em algumas regiões. Segundo relatório da ONU, os riscos são mais fortes nos pequenos Estados-ilhas e nas regiões costeiras, onde vive 10% da população mundial. Entre as ameaças existenciais em pauta estão escassez de água potável, aumento da migração, nações com perda total de território, prejuízos econômicos e ameaças de saúde pública.

Na escassez de água potável, a intrusão salina, que empurra água salgada para fontes de água doce, já afeta comunidades ao redor do mundo. Em Bangladesh, o avanço do mar contamina o solo e as fontes de água doce: cerca de 18% do território é vulnerável à elevação do oceano, e as áreas em risco produzem mais de 30% dos alimentos consumidos pelos 175 milhões de habitantes.

Sobre a migração, até 2050 a elevação do nível do mar poderá deslocar até 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo. Em Fiji, Vanuatu, Ilhas Salomão e outros pequenos Estados insulares do Pacífico, o nível relativo do mar subiu mais que o dobro da média global, ultrapassando 0,15 m nas últimas três décadas. No Caribe, o aumento ocorre até 67% mais rápido que a média global, e a região pode perder entre 39% e 43% das praias de areia até 2050, com queda de até 19% nas receitas de turismo. Mais de 14 milhões de pessoas estão em risco imediato de perder suas casas nos deltas de baixa altitude do Sul da Ásia, em cidades como Calcutá, Mumbai e Daca, capital de Bangladesh.

Quanto às nações sem território, o direito internacional ainda não reconhece um status distinto de “refugiado climático”, embora opiniões jurídicas sustentem que um Estado pode continuar existindo mesmo com todo o território submerso. Tuvalu atua para se tornar a primeira “nação digital” do mundo, com escaneamento tridimensional do território no metaverso, digitalização de eleições e emissão de documentos e preservação do patrimônio histórico.

Nos prejuízos econômicos, estima-se que os danos à infraestrutura costeira ultrapassem US$ 1,8 trilhão, afetando de pequenos Estados insulares do Pacífico a grandes cidades costeiras como Nova Iorque e Jacarta. Como mais de 80% do comércio global de mercadorias é realizado por via marítima, os portos, altamente vulneráveis, podem sofrer interrupções operacionais e impactos nas cadeias de suprimentos.

Na saúde pública, a contaminação de águas superficiais e subterrâneas eleva o risco de doenças diarreicas, infecções de pele e outras enfermidades transmitidas por via hídrica, especialmente perigosas para crianças, gestantes e idosos. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos afirma que o aquecimento dos oceanos cria condições para a proliferação da Vibrio vulnificus, bactéria letal que destrói a carne humana e outros tecidos. Um estudo publicado na revista científica Nature, com dados de 41 países, concluiu que o maior teor de sódio na água aumenta o risco de hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, doença renal crônica e demência.

A ONU ressalta que a natureza irreversível da elevação do nível do mar, combinada com sua manifestação gradual, torna essencial a adaptação baseada no planejamento antecipado, preventivo e de longo prazo.

FONTE: ONU NEWS

IMAGEM: Unicef/Fauzan Ijazah

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