Japão aumenta valor pago por pacientes que usam sistema de reembolso de despesas médicas elevadas
Governo afirma que mudança ajudará a conter as contribuições do seguro de saúde, mas especialista questiona impacto sobre os pacientes
O governo japonês elevou, em 1º de agosto, o limite mensal que os pacientes precisam pagar por despesas médicas de custo elevado. Para pessoas com renda média, o aumento inicial é de cerca de 7%, mas o valor subirá novamente dentro de um ano, acumulando uma alta de quase 30%.
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O Japão estabelece um teto para evitar que os gastos com tratamentos de doenças e outras condições médicas pesem excessivamente no orçamento dos pacientes. A mudança afeta o chamado sistema de reembolso de despesas médicas elevadas (kougaku ryouyou-hi seido/高額療養費制度), segundo reportagem da TBS News.
Esse sistema pode ser utilizado, por exemplo, por pacientes em tratamento contra o câncer. O limite varia conforme a idade e a renda de cada pessoa.
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Como funciona o sistema de despesas médicas
Em geral, as pessoas em idade ativa, inscritas no shakai hoken, kokumin kenko hoken e outros seguros de saúde públicos, pagam 30% das despesas em hospitais e farmácias. Porém, os custos podem subir consideravelmente quando o paciente precisa passar por uma cirurgia ou permanecer internado.
Nesses casos, o sistema dispensa o pagamento da parcela que ultrapassa o limite determinado ou permite que o paciente receba posteriormente o reembolso do valor excedente.
Estima-se que aproximadamente uma em cada dez pessoas no Japão utilize esse benefício ao menos uma vez por ano.
Com os novos critérios, o teto mensal subiu entre 4% e 7%, dependendo da renda. A partir de agosto de 2027, ocorrerá um segundo reajuste, e o aumento acumulado poderá chegar a quase 30%.
Veja como os valores vão aumentar
Uma pessoa de 40 anos, com renda anual de ¥6 milhões e despesas médicas de ¥400 mil em um mês, pagava no máximo ¥81.430.
Desde 1º de agosto, esse limite aumentou cerca de ¥5.500, passando para ¥86.940. Em agosto de 2027, haverá uma nova elevação de aproximadamente ¥12 mil, e o valor chegará a ¥98.830.
Em outro exemplo, uma pessoa de 73 anos, com renda anual de ¥2,5 milhões, que tenha uma despesa hospitalar mensal de ¥1 milhão, pagava no máximo ¥57.600.
Agora, o teto passou para ¥61.500, um aumento de aproximadamente ¥4 mil. A partir de agosto de 2027, subirá novamente cerca de ¥4 mil, chegando a ¥65.400.
Por outro lado, o novo modelo também estabelece um limite anual de despesas, além do teto mensal. Dessa forma, algumas pessoas que precisam de tratamentos prolongados poderão ter uma redução no valor total pago ao longo do ano.
Confira os novos valores de acordo com a renda:
| Renda anual | Limite mensal | Novo limite anual | |
|---|---|---|---|
| Até julho de 2026 | A partir de agosto de 2026 | ||
| ¥11,6 milhões ou mais | Cerca de ¥252 mil | Cerca de ¥270 mil | ¥1,68 milhão |
| De ¥7,7 milhões a menos de ¥11,6 milhões | Cerca de ¥167 mil | Cerca de ¥179 mil | ¥1,11 milhão |
| De ¥3,7 milhões a menos de ¥7,7 milhões | Cerca de ¥80 mil | Cerca de ¥85 mil | ¥530 mil |
| De ¥2 milhões a menos de ¥3,7 milhões | Cerca de ¥57 mil | Cerca de ¥61 mil | |
Valores aproximados. Fonte: Jornal Sankei
Governo prevê aumento de ¥140 bilhões na parcela paga pelos pacientes
Com as duas etapas da revisão, o governo estima que os pacientes passarão a desembolsar quase ¥140 bilhões a mais.
No ano fiscal de 2000, as despesas médicas somavam ¥30 trilhões, dos quais cerca de ¥16 trilhões vinham das contribuições ao seguro. Já no ano fiscal de 2023, os gastos ultrapassaram ¥48 trilhões. Desse total, ¥5,6 trilhões foram pagos diretamente pelos pacientes e ¥24 trilhões vieram das contribuições.
Ao aumentar a parcela paga pelos pacientes, o governo pretende reduzir o peso das contribuições ao seguro de saúde.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar estima que a revisão permitirá uma redução média de aproximadamente ¥117 por mês nas contribuições de cada segurado. Segundo o órgão, o objetivo é conter os encargos da população em idade ativa e garantir a sustentabilidade do sistema.
No entanto, o professor Michihito Ando, da Universidade Rikkyo, especialista em seguridade social, questionou a medida.
Segundo ele, a redução das contribuições será muito pequena, enquanto o impacto sobre o orçamento dos pacientes será grande. Por isso, Ando afirmou que ainda há dúvidas sobre a importância de uma revisão tão desequilibrada.
FONTE: ALTERNAATIVA ON LINE



























