Revista Bunshun acusa Kimi Onoda de ter usado escritório eleitoral “clandestino” no Japão; ministra nega
Publicação afirma que imóvel em Okayama teria sido usado para coordenar carros e outras atividades da campanha para o Parlamento em 2022
A ministra da Segurança Econômica do Japão, Kimi Onoda, teria usado um escritório eleitoral não declarado durante a campanha para o Parlamento em 2022, segundo reportagem publicada pelo Shukan Bunshun.
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A ministra, também responsável pelas medidas relacionadas aos estrangeiros no governo, nega a acusação.
A revista chama o local de yami senkyo jimusho, expressão que pode ser traduzida como “escritório eleitoral clandestino”. O imóvel ficava na cidade de Setouchi, na província de Okayama, principal base política de Onoda.
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Na eleição de julho de 2022, a então candidata do Partido Liberal Democrata (PLD) havia declarado à Comissão Eleitoral de Okayama apenas um escritório eleitoral, localizado na cidade de Okayama.
Segundo o Bunshun, porém, um segundo imóvel teria servido em Setouchi para coordenar atividades diretamente relacionadas à campanha.
Pagamento de aluguel
A revista afirma que o relatório detalhado das despesas eleitorais registra o pagamento de ¥61.275 a uma empresa de Setouchi em 23 de junho de 2022, um dia depois do início oficial da campanha. O gasto teria sido descrito como “aluguel de escritório”.
O resumo das contas divulgado pela Comissão Eleitoral de Okayama confirma que a campanha de Onoda declarou ¥530.465 em gastos com imóveis, sendo ¥444.065 classificados como despesas de escritório eleitoral.
O documento público resumido não apresenta, contudo, os fornecedores, endereços ou valores de cada pagamento. O Bunshun obteve a informação específica sobre os ¥61.275 no relatório detalhado.
Outro elemento citado pela revista é uma publicação feita pela própria equipe de Onoda no início da campanha. No vídeo, ainda disponível no perfil da política no Instagram, aparece a expressão “cerimônia de início da campanha no escritório de Setouchi”.
“Onoda vai lutar com toda a força e seriedade”, dizia a postagem, acompanhada de imagens de apoiadores fazendo um grito de incentivo à candidata.
Vereadores relatam reuniões
Dois vereadores de Setouchi que participaram da campanha também disseram ao Bunshun que o imóvel servia para organizar as atividades eleitorais.
Um deles afirmou que vereadores se reuniam no local para decidir quem participaria dos carros de campanha, onde cada pessoa embarcaria e os trajetos percorridos.
“Havia o carro de campanha de Onoda e também o veículo do PLD. Nós acertávamos os horários e outros detalhes”, disse o vereador à revista. Ele acrescentou que havia uma placa diante do imóvel.
Outro vereador descreveu as pessoas que se reuniam no local como “a equipe encarregada de tocar a campanha em Setouchi”. De acordo com ele, o grupo organizava a circulação dos veículos e reunia cartões-postais de apoio à candidata.
A publicação não divulgou os nomes dos vereadores.
Onoda nega que local fosse escritório eleitoral
Procurada pelo Bunshun, a equipe de Kimi Onoda negou que o imóvel tivesse essa finalidade.
“Não é verdade que aquele local tenha funcionado como escritório eleitoral”, respondeu.
De acordo com a revista, a equipe da ministra não respondeu diretamente às perguntas sobre as reuniões relatadas pelos vereadores.
A controvérsia está justamente na finalidade do imóvel. Embora a campanha tenha chamado o local de “escritório de Setouchi”, registrado uma despesa de aluguel e realizado atividades relacionadas à eleição, ainda não há uma manifestação de autoridade eleitoral estabelecendo que o imóvel funcionava juridicamente como um segundo escritório eleitoral.
O que determina a lei
A Lei Eleitoral japonesa determina que a instalação de um escritório eleitoral seja comunicada imediatamente à comissão responsável pelo pleito.
De acordo com a Comissão Eleitoral de Okayama informou ao Bunshun, cada candidato ao Parlamento pelo distrito provincial podia manter apenas um escritório eleitoral naquela eleição. A instalação de um local além do limite estabelecido pode resultar em multa de até ¥300 mil.
Até o momento, as informações divulgadas se restringem à apuração do Shukan Bunshun e à negativa da ministra. A reportagem da revista não informa que alguma autoridade tenha concluído que houve violação da Lei Eleitoral ou anunciado uma investigação sobre o caso.
FONTE: ALTERNATIVA ON LINE































