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Eleições 2026: especialistas traçam roteiro para um voto consciente na reta final

A menos de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, grande parte do eleitorado ainda não decidiu o voto. Neste ano, o embate de propostas ficou em segundo plano em meio à repercussão do caso Master e da crise do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante desse cenário, a Agência Brasil ouviu especialistas para orientar os eleitores na escolha de candidatos mais alinhados aos seus interesses e visões de mundo.

Na reta final, cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos estão convocados para eleger presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Cada unidade federativa escolherá dois senadores. Juntas, as mulheres somam 53% do eleitorado, mas ocupam apenas 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados.

Especialistas recomendam começar por uma análise sobre o próprio eleitor: seu grupo social e econômico, suas ideologias e os problemas que espera ver priorizados pelo Poder Público. Partir dessa reflexão ajuda a identificar quem, de fato, representa suas urgências, explica o cientista político João Feres Júnior, do IESP/Uerj. Lembrando que nenhum governo agrada a todos: toda decisão política envolve escolhas distributivas e a administração de conflitos entre interesses divergentes.

Outro passo essencial é compreender as atribuições de cada cargo, evitando falsas promessas. Candidatos ao Legislativo não executam obras: quem constrói hospitais e pavimenta ruas são o presidente, os governadores e os prefeitos. Deputados e senadores atuam na aprovação de leis, na fiscalização do Executivo e na definição do Orçamento, lembra a socióloga Débora Messemberg, da UnB.

Antes de decidir, vale checar currículo, histórico e financiamento de campanha. Propostas genéricas e discursos fabricados com base em pesquisas eleitorais são sinais de alerta, avalia o professor Francisco Uribam, da UFC. Declarações de bens, prestação de contas e a relação de doadores podem ser consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Partidos também importam. Cada legenda tem programa, bancada e disciplina: o eleitor deve observar como a sigla vota, quais pautas defende e com quais partidos se aliança, orienta a cientista política Naiara Sandi, da UFPA. Um candidato pode prometer uma coisa na campanha e, eleito, seguir a orientação partidária em sentido contrário.

Atenção também aos “puxadores de voto”. Famoso pelo “Efeito Tiririca”, o fenômeno acontece no sistema proporcional, em que a soma de votos da legenda define quantas cadeiras ela conquista. Em 2010, o humorista obteve mais de 1,35 milhão de votos e ajudou a eleger outros três candidatos à Câmara “de carona”, explica o cientista político Rodrigo Stumpf González, da UFRGS.

No dia da votação, a “colinha” pode acompanhar o eleitor, mas o celular deve ficar fora da cabine. Fotografar ou filmar o voto é proibido desde 2009, para proteger o sigilo e evitar o aliciamento, sustenta o TSE. Manifestações individuais e silenciosas são permitidas; coletivas ou ruidosas, não. Pessoas com mais de 80 anos têm prioridade na seção eleitoral, e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha.

O guia completo, com detalhes sobre quociente eleitoral, competências de cada cargo e regras do dia de votação, foi publicado pela Agência Brasil, agência pública de notícias vinculada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

IMAGEM: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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