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ONU denuncia execuções sumárias e repressão ampliada no Irã após protestos e bombardeios

Ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã intensificaram a repressão interna do país, afirma a relatora especial da ONU sobre a Situação dos Direitos Humanos no Irã, Mai Sato. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, ela relatou que milhares de famílias iranianas enfrentaram perdas e traumas provocados pelos bombardeios de fevereiro. Missão Internacional Independente de Averiguação sobre a República Islâmica do Irã apurou milhares de mortes desde os ataques. O relatório apresentado pela relatora cobre o período entre fevereiro e agosto deste ano, logo após os protestos de dezembro e janeiro.

Após os bombardeios, segundo Sato, as autoridades ampliaram violações de direitos humanos, o uso da força letal e as execuções. Execuções de pelo menos 34 pessoas foram registradas em conexão com as manifestações, em processos marcados por audiências virtuais de poucos minutos e por confissões forçadas divulgadas poucos dias depois das prisões, com dezenas de réus julgados em conjunto em casos que envolviam pena capital. Isoladas ficaram também muitas pessoas com a suspensão do acesso à internet determinada pelo governo, sem informação sobre o paradeiro de familiares.

Os cortes na internet, ainda conforme a relatora, prejudicaram meios de subsistência, sobretudo de mulheres que atuam no setor informal. Um cenário de danos e poluição gerados pelos ataques se soma à degradação ambiental resultante de anos de negligência estatal e de políticas inadequadas. A impunidade é o ponto comum entre os três relatórios da ONU sobre o Irã publicados nas últimas semanas.

Ela sustenta que, quando as autoridades não investigam a si mesmas, a documentação independente é tudo o que resta entre as vítimas e o apagamento da verdade e da memória. O pedido da relatora é que o Irã estabeleça moratória sobre as execuções, liberte presos civis, garanta o direito a julgamento justo e investigue todas as mortes causadas por suas forças. Ainda segundo ela, Estados Unidos e Israel devem encerrar a violência, pois a guerra não acrescentou nada ao povo iraniano.

Fonte: ONU News / Nações Unidas — declarações da relatora especial Mai Sato na Assembleia Geral.

Imagem: Gerada pelo site através de I.A.

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