Empresas japonesas se preparam para “guerra” por trabalhadores estrangeiros
Novo sistema previsto para 2027 deve ampliar a mobilidade de trabalhadores estrangeiros e aumentar a disputa por funcionários entre empresas e regiões.
O Japão se prepara para uma mudança importante no sistema de contratação de estrangeiros.
A partir do ano fiscal de 2027, o atual programa de estágio técnico será substituído pelo sistema de Emprego para Desenvolvimento de Habilidades (育成就労制度), que deverá facilitar a mudança de empresa e aumentar a mobilidade dos trabalhadores estrangeiros.
A expectativa é que a nova regra intensifique a disputa por funcionários entre empresas e regiões, principalmente porque trabalhadores treinados em áreas rurais poderão buscar vagas com salários mais altos em grandes centros urbanos.
Esse cenário já pode ser observado em Kagawa. Segundo levantamento da Agência de Serviços de Imigração, entre aproximadamente 2,4 mil estagiários técnicos que migraram para o visto de Trabalhador Qualificado Específico na província, cerca de um terço mudou de emprego para fora de Kagawa.
Muitos seguiram para empresas localizadas em Osaka e na região metropolitana de Tóquio, onde os salários tendem a ser mais elevados.
Empresas dependem cada vez mais de trabalhadores estrangeiros
Na província de Kagawa, o número de trabalhadores estrangeiros chegou a 16.557 no fim de outubro do ano passado, estabelecendo recorde pelo terceiro ano consecutivo.
O total é cerca de 3,2 vezes maior que o registrado dez anos antes, quando havia 5.172 estrangeiros empregados na província.
O número de empresas que empregam estrangeiros também atingiu nível recorde, chegando a 2.358 estabelecimentos.
Uma pesquisa do Hyakujushi Economic Research Institute, com respostas de 253 empresas sediadas ou com principais fábricas em Kagawa, mostrou que 38% já empregavam trabalhadores estrangeiros.
Entre os principais motivos estavam a falta crônica de mão de obra e o baixo número de japoneses interessados nas vagas.
As empresas apontaram dificuldades como conhecimento insuficiente da língua japonesa e diferenças de hábitos e costumes, mas muitas já consideram os estrangeiros uma força de trabalho essencial para manter suas operações.
Treinamento vai além do trabalho
Em Marugame, por exemplo, a empresa de construção YOTSUBA e companhias relacionadas empregam atualmente 14 trabalhadores da Indonésia e das Filipinas. A empresa começou a receber estagiários técnicos em 2024.
Em uma instalação de treinamento da cidade, trabalhadores indonésios aprendem técnicas de pavimentação asfáltica, incluindo o uso de rolos compactadores.
Segundo a empresa, apesar das dificuldades de comunicação, os funcionários estrangeiros demonstram grande disposição para aprender e não apresentam mais problemas no trabalho do que os colegas japoneses.
A adaptação à vida local, porém, também exige orientação. No início da contratação, houve reclamações de moradores envolvendo regras para descarte de lixo e barulho.
A empresa passou então a incentivar os trabalhadores a participar de atividades de limpeza e eventos das associações de bairro, buscando melhorar a integração com a comunidade.
Novo sistema pode acelerar troca de empresas
No atual sistema, muitos estagiários técnicos podem migrar após três anos para o status de residência de Trabalhador Qualificado Específico (Tokutei Ginou). Nesse estágio, já é possível mudar de emprego dentro do mesmo setor profissional.
Com a implantação do novo sistema de Emprego para Desenvolvimento de Habilidades, prevista para o ano fiscal de 2027, a possibilidade de transferência para outras empresas deverá ser ampliada.
Isso pode tornar o mercado ainda mais competitivo para empregadores que investiram tempo e recursos no treinamento desses trabalhadores.
Para Ryoso Yamaguchi, analista sênior do Hyakujushi Economic Research Institute, empresas do interior terão dificuldade para competir apenas em salário com os grandes centros.
Por isso, será necessário oferecer orientação cuidadosa no trabalho, apoio ao aprendizado do japonês e condições que tornem o ambiente profissional mais atrativo.
O especialista também destaca que governos locais terão papel importante em identificar as necessidades das empresas e criar mecanismos de apoio para que trabalhadores estrangeiros permaneçam nas regiões onde foram treinados, em vez de migrarem rapidamente para cidades maiores.
FONTE: PORTAL MIE































